terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Inferiores, preguiçosos e piegas.

Vivemos tempos complexos. Tal como num passado que se pensava distante e enterrado, alguns povos Europeus, voltam a procurar dominar e humilhar outros que julgam inferiores. Em apenas um ano, lideranças miseráveis arruinaram um conceito e uma união entre povos surgida das ruínas e do sangue derramado de uma frustrada tentativa de domínio do espaço europeu por parte de um único povo. 

Com o beneplácito de meios de comunicação miseráveis, cada vez mais dependentes do poder económico, procura ser imposta a "lei da inevitabilidade" a esses povos rotulados de inferiores, preguiçosos e piegas. Esses piegas, preguiçosos e inferiores do sul europeu, se de facto foram irresponsáveis endividando-se em demasia, não foram mais, do que aqueles que apresentado-se como exemplares,  enquanto credores originaram e potenciaram essa irresponsabilidade. 

Infelizmente, de há um ano para cá, o foco incide sobre o devedor. O devedor, trata-se acima de tudo de uma classe média, que tendo tido acesso a créditos a taxas de juro artificialmente baixas, procurou melhorar as suas condições de vida, tendo acesso a bens até aí inimagináveis. Se há aqui uma clara irresponsabilidade, até que ponto essa será maior que a de quem sabendo da artificialidade desse poder de compra, lhes concedeu o mesmo? Até quando iremos continuar a exclusivamente apontar o dedo a quem foi "aliciado", ignorando a responsabilidade de quem os "aliciou"? 

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

"Os farsolas".

Primeiro foi um Secretário de Estado, seguiu-se entretanto um dos principais ministros, mas, porque a mensagem poderia ainda não ter sido totalmente percebida pelos destinatários, eis que o próprio Primeiro Ministro de Portugal exorta os portugueses a abandonarem o seu país natal em busca das oportunidades que Portugal não tem para lhes oferecer. 

Pedro Passos Coelho, poderia ter pensado tal coisa? Claro que sim. Eu penso exactamente o mesmo. Sinto que o meu país não tem muito neste momento para me oferecer. Agora, eu sou o Renato Seara, alguém que não se leva muito a sério, nem é para levar muito a sério. Passos Coelho, por sua vez, é líder do Governo de uma nação com mais de 800 anos de história e o que afirmou revela apenas a sua faceta de demente intelectual e de ignorante. Demente, porque há coisas que um líder de uma nação jamais deve dizer. Ignorante, porque desconhece as dificuldades existentes na obtenção de vistos de trabalho e na morosidade com que são tratados os processos de equivalência e reconhecimento de competências nos países por ele citados.

Desola-me ver o meu país governado por quem não esboça sequer uma tentativa de cancelamento de um contrato ilegal de compra de submarinos, por tal poder ser mal encarado em Berlim, mas que não hesita em cortar nos tratamentos de hemodiálise ou nas ajudas de custo aos que fazem centenas de Km's para se submeterem a um tratamento de quimioterapia no IPO. Cortar verdadeiramente nos salários e reformas principescas dos "Mira Amarais e outros tais" que sem qualquer tipo de vergonha ainda vão à TV falar de  "viver acima das possibilidades", obviamente que não. Já limpar o passivo de um Banco (6 mil milhões!!) e de seguida devolvê-lo, por 40 milhões aos "amigalhaços", isso sim, é boa gestão, génio, inteligência, visão, etc.

Percebo pouco de economia, mas, ainda percebo alguma coisa de matemática, pelo que faz-me confusão esta peregrina ideia de tentar pagar uma dívida sem que para tal se crie riqueza. As empresas que optam pela solução preconizada pelos génios que nos desgovernam, acabam na insolvência, mas, talvez o nosso destino seja diferente, vou fazer de conta que acredito, nestes, como diria o Miguel Portas, "farsolas".